HPV e a vacina do Pecado

REVOLTA DA VACINA 2 : O HPV cerebral-moralista-religioso

É inacreditável a reação de alguns segmentos religiosos à campanha do governo de vacinação contra o HPV de meninas entre 11 e 13 anos.

Inacreditável!

Mães estupidamente piedosas têm dito: “a melhor proteção é a fidelidade”. Que lindo! Só não inventaram, ainda, proteção contra umas mães dessas.

Equivale dizer: “para não pecar, melhor não nascer”.

Não basta à religião totalitária dizer em quem você deve votar, ela também que dizer que vacina tomar.

E há ainda os que chamam a isso “liberdade’. Não, senhores, isso tem qualquer outro nome diametralmente oposto, menos liberdade.

É por essas e outras que eu temo – com toda honestidade – o avanço dessa turma na esfera das políticas públicas.

É por isso que eu sou totalmente a favor da liberdade de crença como direito individual, mas frontalmente contra o ensino religioso em escola pública e dos postulados religiosos dando as cartas nos interesses coletivos e plurais.

Para a bancada evangélica, a vacina pode ser um estímulo, digamos assim, à ‘afoiteza’ juvenil. É uma sutil castração. Uma circuncisão feminina. Mas, mais que isso: um atentado à saúde pública.

A coleira venceu a consciência! E a loucura, o bom senso!

Se essa turma fosse contemporânea a Cristo, ela teria suprimido dos evangelhos a narrativa do perdão dele à flagrada prostituta pois, pela insana lógica, isso seria um estímulo – com a licença dos pudicos – à putaria.

Cento e dez anos depois, reeditamos a Revolta da Vacina contra a varíola que ocorreu nos primórdios da República, só que de forma ainda mais patética. Certo estava o velho filósofo: “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.

Acho que Freud, em “Totem e Tabu”, foi quem chegou mais perto do deslindamento da embaraçosa primitividade desse tipo de alminha religiosa. Contra isso, não há vacina.

Por Dilson Cunha